Arquivo de Março de 2008
Domingo à noite, ligo a televisão a fim de ver os gols da rodada. Rodo por Gazeta, ESPN Brasil, RedeTV!, Sportv… e o assunto predominante é sempre o mesmo: os julgamentos do STJD. Os temas do momento são a cabeçada de Kleber em André Dias e a mal-sucedida joelhada do craque dos novos tempos Jorge Wagner no venezuelano Valdivia, ambos os lances ocorridos no Choque-Rei de 16 de março.
Enquanto espero chegar o momento dos gols – que parecem teimar em só aparecer no Campeonato Carioca -, me ponho a refletir sobre o assunto. Lembro de jogadores lendários que nunca vi jogar e penso no que seria feito deles, caso atuassem nos dias de hoje. Minha mente viaja por Almir Pernambuquinho, que na final do Carioca de 66, envergando a camisa rubro-negra, decidiu brigar sozinho com todo o time do Bangu. Não esqueço de Serginho Chulapa, que pegou catorze meses de gancho por ter agredido um bandeirinha, em 77. Ele, que na decisão do Brasileirão de 81, vencida pelo Grêmio em pleno Morumbi, caminhou calmamente até o goleiro adversário (um tal Emerson Leão), que estava visivelmente fazendo cera no chão e deu-lhe um biquinho na cabeça. Ele, que tinha o hábito de ser expulso ao ser avisado de que o próximo compromisso de seu time exigiria muitas horas de viagem.
Seria no mínimo interessante vê-los desfilando nos gramados em tempos de Rubens Approbato Machado e cia. limitada, que, com o auxílio das mesmas câmeras que vigiam a “nave Big Brother” de Pedro Bial, distribuem punições a rodo pelo mundo do futebol. Approbato, conselheiro do Corinthians e assíduo freqüentador do programa de Chico Lang, preside um órgão necessário ao bom andamento do esporte. E isso, não questiono. O que é discutível é a absoluta falta de critérios do STJD, sua hiper-valorização e exposição na mídia, além, é claro, da conseqüente vulgarização das punições e julgamentos.
Mal pude acreditar quando soube que o zagueiro Juninho, do São Paulo, seria julgado por sua merecida expulsão contra o Palmeiras. Assim como não acredito que se tenha dado qualquer importância ao projeto abortado de cabeçada do imperador Adriano no parrudo Domingos, do Santos. Ou ao quase-chute do goleiro Marcos no atacante Malaquias, do Bragantino. Aliás, o julgamento foi tão ridículo que a própria “vítima” foi depor a favor de seu suposto agressor. Não consigo admitir que se queira aplicar algo além do sempre eficaz cartão vermelho em casos absolutamente corriqueiros como esses.
É no mínimo estranho que se tente colocar tais atos no mesmo rol de verdadeiras agressões, como a cusparada de Rincón em Paulo Nunes, em 99; o carrinho criminoso do craque Edmundo em Paulo Sérgio, do Corinthians, em 94; a confusão causada pelo mesmo Edmundo em um Palmeiras 2x2 São Paulo, em 94, agredindo André Luís e Juninho; o carrinho abjeto de, adivinhem, Edmundo em Miranda, em 2007 (é bom constar, não estou perseguindo o Animal); o cuspe de Hugo em Goiano, do Paraná, também ano passado e, claro, essa cotovelada absurda desferida pelo excelente atacante Kleber, do Palmeiras, em André Dias.

Poderíamos citar aqui dezenas de casos em que o Tribunal deveria ter agido com veemência, mas não o fez. E um milhão e duzentos mil em que deveria se calar e entender que o futebol é feito e jogado por pessoas, não robôs. E que o esporte se torna chato se tudo for resumido em 120 dias ou três jogos. Se a célebre obra de George Orwell ganhar contornos de realidade, com o STJD adquirindo o status de STJDeus. Se, afinal de contas, os fins de domingo continuarem a ser essa imensa chatice que são, com os gols dando lugar a punições e polêmicas tolas e inócuas. Se os programas esportivos forem uma tortura a seus cada vez mais desinteressados telespectadores. Ou se, eventualmente, o STJD decidir aplicar 120 dias de suspensão às mesas-redondas por isso.
Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna
24 de Março de 2008 às 14:32
PAGALANXE
É mais do que clichê elogiar as ações de marketing esportivo que a Red Bull faz. De escuderia de fórmula 1 até corrida de avião, a empresa criada pelo ex-mau aluno e paquitão austríaco Dietrich Mateschitz dá um show de originalidade e brilhantismo na execução e divulgação de suas ações. Todavia, uma delas manchou para alguns a imagem da empresa que te da asas. Eram os torcedores do SV Austria Salzburg, time de futebol fundado em 1933, que viram o nome do seu time mudar em 2005 para Red Bull Salzburg, após aquisição pela empresa de energéticos, deixando todo um passado de glórias para trás.

Isso causou um bafafá que culminou em protestos por toda Europa (vide foto de faixa feita pela torcida do Benfica), em demonstrações de apoio aos torcedores vítimas do mkt esportivo e até na criação de outro SV Austria Salzburg que hoje disputa a segundona da Áustria.

Todavia, já na sua primeira temporada o Red Bull consquistou o campeonato austríaco e disputou as fases preliminares da Champions League. Hoje, o time é treinado por Giovanne Trapatonni e está imbatível no seu país.
Um ano depois, a Red Bull comprou também o antigo New York Metrostars, o transformando em Red Bull NY, mas como a américa não gosta muito da redondinha e sim da bola oval, os protestos não ganharam grandes proporções. Coisa que aconteceria caso a empresa tivesse comprado o Juventude de Caxias do Sul como muito se especulou ano passado.
Apesar do contrato com os gaúchos não ter dado certo, o Brasil acaba de ganhar o irmão caçula do Red Bull NY e Salzburg. O Red Bull Brasil, com sede no bairro do Itaim em São Paulo e investimento inicial de 200 milhões, mas que mandará seus jogos em Campinas. Inscrito na Federação Paulista de Futebol, ele será lançado no mês de abril e disputará a segunda divisão do Paulista, que na realidade se equivale a quarta. Se o planejamento der certo, em 2011, poderemos ver São Paulo x Red Bull Brasil no Morumbi, disputando o Paulistão com cobertura de televisão e tudo.
São nessas horas que eu me pergunto duas coisas:
1- Qual seria a sensação caso seu clube fosse comprado e mudado de nome da noite pro dia?
2- Como a Globo chamará o clube na época que ele estiver jogando grandes campeonatos?
Enfim… o tempo irá responder.
Escrito pelo meu amigo Caju
às 00:52
PAGALANXE
Flashback: voltemos no tempo. Se coloque em 1995. Se tivesse cem vinténs, você, em sã consciência, apostaria no sucesso de um time formado por jovens promessas como Danrlei, Roger, Carlos Miguel e Arílson? E se te dissessem que esse time contaria com a presença de dois desconhecidos defensores oriundos do então opaco futebol paraguaio: Rivarola e Arce? E se, ainda por cima, viessem te contar que o time seria liderado por cinco refugos de outros grandes do Brasil: o zagueiro Adílson, que não vingou no Cruzeiro, os volantes Dinho e Luis Carlos Goiano, que não convenceram no São Paulo do exigente Telê (Dinho ainda tentou a sorte no Santos, após ser trocado pelo colega de posição Axel) e os atacantes Jardel e Paulo Nunes, que pintaram como promessas do futebol carioca, mas não se firmaram? Todos eles sob a batuta de um carismático, embora bravo treinador. Um bigodudo que encarnava a escola gaúcha de futebol, sempre priorizando a transpiração. Um homem que nunca foi adepto de ternos caros nem de discursos pausados, chamado Luiz Felipe Scolari, que sete anos depois, seria campeão mundial dirigindo a Seleção canarinho.
Pois é. Eu também não teria apostado nesse time. Mas foi exatamente com essa equipe que o Grêmio conseguiu um dos títulos mais importantes de sua história: a Libertadores de 95. E com direito a chocolate naquele que era, à época, considerado o melhor time do país: o Palmeiras de Cafu, Muller, Roberto Carlos, Rivaldo e da Parmalat. Foi um 5x0 com um show de cabeçadas de Jardel e voadoras de Danrlei.

Enfim, apesar de o time ter perdido a final do Mundial para o fortíssimo Ajax, na cruel disputa por pênaltis em Tóquio, ficou o gosto para o gremista de um time extremamente dedicado, que rendeu até mais do que podia. A sensação geral, confirmada um ano depois, com a conquista do Brasileirão 96, era de que Felipão tirava leite de pedra ou, como diriam alguns mais afeitos a clichês de momento, fazia um omelete sem os ovos. Se analisarmos o que cada um dos integrantes do time produziu ao longo da carreira, perceberemos mais claramente isso: Paulo Nunes teve seus brilharecos no Palmeiras, ao lado do excelente Arce, após terem sido trazidos por Felipão, em 98. Jardel, com suas mortíferas cabeçadas, transformou-se no “Super Mario” e imortalizou a camisa 16 do Porto. Depois, ainda teve tempo de brilhar no Galatasaray (ganhando, inclusive, a Copa da Uefa de 2000, ao lado de Hagi e Taffarel) e retornar à terra dos patrícios, para ser artilheiro pelo Sporting, antes de viver sérios problemas pessoais que o conduziram ao ocaso da carreira. Roger construiu carreira no Tricolor Gaúcho, mudou-se para o Japão e hoje, confortavelmente, pensa em encerrar sua carreira no Fluminense, onde é reserva na zaga. Carlos Miguel foi “laranja podre” para Nelsinho Baptista no São Paulo de 2001, e nunca mais conseguiu jogar bem. Arílson fugiu da concentração da Seleção em 96, não vingou no Kaiserslautern, rodou por Inter, Palmeiras, Lusa… nunca com sucesso.
Essa não foi a única vez em que isso aconteceu. O Grêmio adquiriu uma tradição em recuperar jogadores desacreditados. Aconteceu, por exemplo, com Mario Sergio, em 83. O “vesgo”, depois de ser flagrado no exame anti-doping, quando atuava pelo Palmeiras, foi trazido pelo Tricolor Gaúcho apenas para um jogo. A final do Mundial, contra o Hamburgo. E foi um dos melhores em campo, enquanto teve fôlego para esquecer que já tinha a idade de Cristo. O cracaço Paulo César Caju também participou, embora com menor contribuição, desta partida. Também foi trazido especialmente para esse jogo. Tinha 34 anos.
E como esquecer, então, do time vice-campeão da Libertadores 2007? Saja; Patrício, Teco, William e Lucio; Gavilán, Sandro Goiano, Tcheco, Diego Souza e Carlos Eduardo; Tuta. Esses eram os titulares de um elenco que ainda contava com o veterano beque portenho Rolando Schiavi, o craque Lucas (que passou a maior parte da competição lesionado) e o atacante Amoroso, que parece ter esquecido seu futebol no Morumbi, há mais de dois anos. O técnico, assim como em 95, era uma aposta. Também era - e é - um digno representante da tal “escola gaúcha”. Trata-se de Mano Menezes. Uma pessoa que, ao menos no quesito nervosismo, é a perfeita antítese de Felipão. Enquanto o antecessor exalava fumaça pelos ouvidos e resmungava aos quatro ventos, Mano exibe-se com uma frieza escandinava e não gasta seu salário comprando pastilhas para a garganta. Ao seu estilo, fez um Diego Souza rejeitado pela dupla Fla-Flu (onde era considerado um segundo volante) e pelo Benfica virar o homem-chave do Grêmio na competição sul-americana. Fez William e Teco, que haviam naufragado no Cruzeiro e feito sucesso no Ipatinga, virarem pilares de uma defesa segura. Fez Lucio, que já tinha até sido perseguido de carro por torcedores palmeirenses em seus tempos de Parque Antarctica, jogar como nunca. O patinho feio Tuta, sempre questionado pelas torcidas dos times em que joga, fez seus golzinhos. Tcheco lembrou aquele meia criativo que fez grande campanha no Coritiba de 2003. Carlos Eduardo surgiu com tudo. E o time foi eliminando adversários melhor qualificados tecnicamente, como o São Paulo, de Rogério e Josué, e o Santos, de Zé Roberto e Luxemburgo. Até esbarrar no calejado Boca Juniors na final: uma orquestra regida pelo inspirado maestro Juan Roman Riquelme. Mas a lição já estava dada: nunca duvide de um Grêmio com refugos. Portanto, pense duas vezes antes de desconsiderar um time com Roger, Perea, Soares, Jonas, Rodrigo Mendes, Eduardo Costa, Jean, Paulo Sérgio, Reinaldo… ainda por cima treinado por Celso Roth, um técnico que, para muitos, é gaúcho até demais (e refugo).
Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna
11 de Março de 2008 às 11:43
PAGALANXE
Cuidado com quem? Que que é isso? Coruripe, oras. Ou melhor: Associação Atlética Coruripe. O time, fundado em 1º de março de 2003, é um daqueles times que você pára e pensa: será que esse time vai ser um time grande do Brasil em 2050? Eu sempre me pergunto isso a times pequenos que têm currículo vitorioso em tão curto prazo. Penso assim do Guaratinguetá, do São Caetano, do …, do …, ah, não lembro mais, mas do Coruripe também.
O Coruripe logo no ano de estréia (2003) foi campeão da segunda divisão alagoana. Aí você se pergunta: “e daí”? E daí que em 2004 e 2005 ele foi vice-campeão do campeonato alagoano e em 2006 e 2007 ele conseguiu subir no lugar mais alto do pódio (que frase mais bisonha), desbancando ASA, CSA, CRB e Corinthians-AL, os tradicionais clubes de Alagoas. Em 2008, o título já não é possível para o Coruripe, uma vez que o segundo jogo da final será disputado domingo, dia 9 de março, entre Corinthians e ASA (O Cortinhians-AL venceu o primeiro jogo por 2x1 e pode perder por até um gol pra se sagrar campeão).
Porém, a esperança se mantém acesa para o Hulk Alagoano (apelido que recebeu por seu mascote ser o Hulk) na Copa do Brasil, pois o time enfiou uma sacolada no Juventus e jogará a segunda partida em São Paulo podendo perder até por 2 gols de diferença. Não posso prever o futuro nem se o time vai tão longe nessa Copa do Brasil de 2008, mas quem sabe em 2050 eu diga: “eu disse pra tomar cuidado com o Coruripe”.
5 de Março de 2008 às 01:43
PAGALANXE
Mágico:
do Lat. magicu
adj., relativo à magia;
fig., que encanta; que seduz; extraordinário; fantástico;
s. m., mago; feiticeiro; indivíduo cismático; lunático.
Ilusionista:
s. 2 gén.,
aquele que sabe criar a ilusão; prestidigitador.
Pode parecer uma certa heresia eu escrever algo suscitando a dúvida a respeito do futebol do maior “craque” do Palmeiras no elenco atual e, principalmente, após o clássico contra o Corinthians. E vai parecer uma heresia ainda maior, pois quem aqui escreve é Palmeirense roxo, doente e fanático. Pois é, mas vamos lá.
Ao chegar ao Palmeiras, em 2006, Valdivia mostrou boa habilidade, condução de bola e facilidade pra se livrar dos marcadores. Com isso, tornou-se titular no ano seguinte e fez com que 99,9% da torcida palmeirense o elegesse como “craque”, “ídolo”, “melhor jogador do Brasil”, e outros elogios desse tipo. A imprensa, no geral, também contribuiu bastante para que “El Mago” fosse condecorado como um dos melhores do país. Como exemplo, podemos citar a eleição final para Bola de Ouro do Campeonato Brasileiro de 2007. Os finalistas form Thiago Neves, Breno e Valdivia. Thiago Neves ganhou, mas Valdivia não fez um campeonato digno de estar entre os 3 melhores. Nem de longe.
O que mais me chama a atenção é a idolatria a um jogador cuja produtividade deixa a desejar. Sua habilidade em prender a bola, driblar e, principalmente, a facilidade com que ele se livra dos marcadores é impressionante. Nesse quesito, ponto positivo pra Valdivia. Mas o que eu realmente questiono é sua produtividade. Eu consigo lembrar de cabeça quais foram os jogos em que Valdivia foi realmente decisivo. Em 2007, contra o Juventus, o Palmeiras ganhou por 4 x 1 e Valdivia fez 1 gol e sofreu 2 pênaltis. No mesmo ano, contra o Figueirense, fez os 2 gols e deu a vitória ao Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Neste ano contra Juventus também jogou muito bem. Fez 1 gol e deu passe pra outros 2. Acho que são só esses os jogos que consigo me lembrar que ele tenha decidido. Ah, ontem contra o Corinthians marcou o gol e fez algumas graças típicas. Nada mais que isso. É até engraçado vê-lo jogar. Confesso que gosto dos seus dribles, mas como meia-armador, falta ao chileno passes decisivos ou chutes a gol, coisas que são raras vê-lo fazer. Isso me deixa com a cabeça quente, pois bola ele tem pra jogar, só falta um maior espírito coletivo, para, enfim, deixar de ser um mero ilusionista e se tornar um mágico de verdade.
E vocês? O que pensam sobre “El Mago”?
3 de Março de 2008 às 15:02
PAGALANXE
“Que título é esse?”, “quê que tem a ver?” e “o que esse idiota tá falando?” são alguns dos pensamentos que devem ter surgido na mente de muitos de vocês ao ler esse título aparentemente sem sentido algum. Aliás, com razão: eu também pensaria mais ou menos assim ao ler um título desses.
Mas, enfim, permitam-me explicar meu devaneio. A comparação entre esses dois jogadores foi a mais bem acabada metáfora que encontrei para expressar o quão confusa a definição de “jogador moderno” é pra mim. Justo eu, que, talvez embalado por meus meros 19 anos de ilusão, costumo rejeitar qualquer análise saudosista do futebol. Pois é, amigos, me sinto um verdadeiro Tiozão da Sukita ao contestar o todo poderoso futebol moderno. Mas vamos à metáfora.
Jorge Wagner é um bom jogador. E disso, não tenho dúvidas. Bate bem na bola (especialmente parada), corre pra lá, pra cá, arrisca chutes de longe e sabe se posicionar bem. Ajuda na marcação, o que o faz ser o sonho de consumo de 67 entre 72 técnicos – Muricy quase teve um filho ao ver que podia perdê-lo no fim de 2007. Joga em mais de uma posição, o que não quer dizer que vá bem em todas. Mas joga um futebol pragmático, previsível, lento e xonho. Para alguns mais exagerados, joga um futebol triste. Erra passes fáceis em profusão. Cadencia o jogo. Por muitos, é considerado um armador, um playmaker, um enganche, como queiram. Não por mim. Já deu para perceber que não sou fã de carteirinha do futebol do JW, né? Mas não há qualquer maldade em meus comentários. Tudo o que quero dizer, é que se trata de um coadjuvante, transformado em protagonista do tal futebol moderno.
Já Denílson é um caso a parte. Despontou no São Paulo, virou titular e astro em 96 e foi comparado a ninguém menos que Canhoteiro, o Garrincha da ponta esquerda. Representava um sopro de futebol-arte entre os Amarais, Dinhos, Dungas e Galeanos que figuravam nos campos tupiniquins. Fez uma partida que ainda faz muitos corinthianos dormirem mal à noite, na finalíssima do Paulistão 98, que marcou sua despedida do futebol brasileiro. Chegou na Espanha a peso de ouro e não vingou. Jogou em um time fraco, o Betis. Rodou, então, por Flamengo, Bordeaux e ainda pelos tradicionalíssimos Al Nassr e Dallas FC, nunca repetindo o sucesso de outrora. Exceto, é claro, em suas participações pela Seleção Brasileira. “Pra dentro deles, Denílson”, dizia um certo locutor. E ele ia. Encarava. Representava.
Vamos refrescar a memória? Copa América 2001, na Colômbia. Um tremendo fracasso. Eliminação nas quartas-de-final para Honduras, dos inspiradíssimos Leon e Guevara. Na Seleção, jogadores esforçados como Alessandro (hoje no Botafogo), Emerson, Geovanni (hoje no Man.City), Ewerthon (hoje no Espanyol), Roger (hoje no banco do Fluminense) e Guilherme, hoje auxiliar técnico do Marília. Atuações sofríveis. Se alguém saiu ileso do fiasco, esse foi Denílson, que sempre saía do banco e trazia brilho a um time apático. Teve primorosa atuação (primorosa tacada, Venceslau!) contra o Paraguai, entre outras. E como esquecer da semi-final da Copa de 2002 contra a Turquia e a cena circense que Denílson protagonizou ao ser perseguido por 4 turcos? O rolinho (ou caneta, como preferirem) que aplicou impiedosamente na bandeirinha de escanteio em Arce no Brasil 2x0 Paraguai, pelas Eliminatórias para 2002, em um Olímpico lotado, também ficou na memória (para quem não se lembra, esse foi o jogo em que o Chilavert cuspiu na cara do Roberto Carlos). Eram jogos difíceis e a pressão sobre os ombros de Felipão era imensa. Enfim… tais lances não me saem da memória. É o tal do lado lúdico do futebol, tão em falta atualmente.
O fato é que Denílson, mesmo que tenha cometido seus deslizes na carreira, não merece ter seu futebol diminuído. A mídia, que tanto reclama das entrevistas padronizadas dos jogadores e seus comportamentos robóticos, tem grande parcela de culpa nisso. Seja por fazer aos jogadores sempre as mesmas perguntas, seja por menosprezar alguém que, quer queiramos ou não, representa muito bem as raízes do futebol brasileiro. E que, claro, pode render muito na ponta esquerda do Palmeiras. Principalmente se Vanderlei Luxemburgo, o homem que um dia já teve 4 CPF’s, se propuser a ouvir o primeiro CD do Natiruts. No álbum gravado há 11 anos, os regueiros brasilienses, que ainda se chamavam Nativus, cantam: “Deeeeeixa o meniiiiino jogaaaar”.
Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna.
às 13:09
PAGALANXE