Mágico:
do Lat. magicu
adj., relativo à magia;
fig., que encanta; que seduz; extraordinário; fantástico;
s. m., mago; feiticeiro; indivíduo cismático; lunático.
Ilusionista:
s. 2 gén.,
aquele que sabe criar a ilusão; prestidigitador.
Pode parecer uma certa heresia eu escrever algo suscitando a dúvida a respeito do futebol do maior “craque” do Palmeiras no elenco atual e, principalmente, após o clássico contra o Corinthians. E vai parecer uma heresia ainda maior, pois quem aqui escreve é Palmeirense roxo, doente e fanático. Pois é, mas vamos lá.
Ao chegar ao Palmeiras, em 2006, Valdivia mostrou boa habilidade, condução de bola e facilidade pra se livrar dos marcadores. Com isso, tornou-se titular no ano seguinte e fez com que 99,9% da torcida palmeirense o elegesse como “craque”, “ídolo”, “melhor jogador do Brasil”, e outros elogios desse tipo. A imprensa, no geral, também contribuiu bastante para que “El Mago” fosse condecorado como um dos melhores do país. Como exemplo, podemos citar a eleição final para Bola de Ouro do Campeonato Brasileiro de 2007. Os finalistas form Thiago Neves, Breno e Valdivia. Thiago Neves ganhou, mas Valdivia não fez um campeonato digno de estar entre os 3 melhores. Nem de longe.
O que mais me chama a atenção é a idolatria a um jogador cuja produtividade deixa a desejar. Sua habilidade em prender a bola, driblar e, principalmente, a facilidade com que ele se livra dos marcadores é impressionante. Nesse quesito, ponto positivo pra Valdivia. Mas o que eu realmente questiono é sua produtividade. Eu consigo lembrar de cabeça quais foram os jogos em que Valdivia foi realmente decisivo. Em 2007, contra o Juventus, o Palmeiras ganhou por 4 x 1 e Valdivia fez 1 gol e sofreu 2 pênaltis. No mesmo ano, contra o Figueirense, fez os 2 gols e deu a vitória ao Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Neste ano contra Juventus também jogou muito bem. Fez 1 gol e deu passe pra outros 2. Acho que são só esses os jogos que consigo me lembrar que ele tenha decidido. Ah, ontem contra o Corinthians marcou o gol e fez algumas graças típicas. Nada mais que isso. É até engraçado vê-lo jogar. Confesso que gosto dos seus dribles, mas como meia-armador, falta ao chileno passes decisivos ou chutes a gol, coisas que são raras vê-lo fazer. Isso me deixa com a cabeça quente, pois bola ele tem pra jogar, só falta um maior espírito coletivo, para, enfim, deixar de ser um mero ilusionista e se tornar um mágico de verdade.
E vocês? O que pensam sobre “El Mago”?
3 de Março de 2008 às 15:02
PAGALANXE
“Que título é esse?”, “quê que tem a ver?” e “o que esse idiota tá falando?” são alguns dos pensamentos que devem ter surgido na mente de muitos de vocês ao ler esse título aparentemente sem sentido algum. Aliás, com razão: eu também pensaria mais ou menos assim ao ler um título desses.
Mas, enfim, permitam-me explicar meu devaneio. A comparação entre esses dois jogadores foi a mais bem acabada metáfora que encontrei para expressar o quão confusa a definição de “jogador moderno” é pra mim. Justo eu, que, talvez embalado por meus meros 19 anos de ilusão, costumo rejeitar qualquer análise saudosista do futebol. Pois é, amigos, me sinto um verdadeiro Tiozão da Sukita ao contestar o todo poderoso futebol moderno. Mas vamos à metáfora.
Jorge Wagner é um bom jogador. E disso, não tenho dúvidas. Bate bem na bola (especialmente parada), corre pra lá, pra cá, arrisca chutes de longe e sabe se posicionar bem. Ajuda na marcação, o que o faz ser o sonho de consumo de 67 entre 72 técnicos – Muricy quase teve um filho ao ver que podia perdê-lo no fim de 2007. Joga em mais de uma posição, o que não quer dizer que vá bem em todas. Mas joga um futebol pragmático, previsível, lento e xonho. Para alguns mais exagerados, joga um futebol triste. Erra passes fáceis em profusão. Cadencia o jogo. Por muitos, é considerado um armador, um playmaker, um enganche, como queiram. Não por mim. Já deu para perceber que não sou fã de carteirinha do futebol do JW, né? Mas não há qualquer maldade em meus comentários. Tudo o que quero dizer, é que se trata de um coadjuvante, transformado em protagonista do tal futebol moderno.
Já Denílson é um caso a parte. Despontou no São Paulo, virou titular e astro em 96 e foi comparado a ninguém menos que Canhoteiro, o Garrincha da ponta esquerda. Representava um sopro de futebol-arte entre os Amarais, Dinhos, Dungas e Galeanos que figuravam nos campos tupiniquins. Fez uma partida que ainda faz muitos corinthianos dormirem mal à noite, na finalíssima do Paulistão 98, que marcou sua despedida do futebol brasileiro. Chegou na Espanha a peso de ouro e não vingou. Jogou em um time fraco, o Betis. Rodou, então, por Flamengo, Bordeaux e ainda pelos tradicionalíssimos Al Nassr e Dallas FC, nunca repetindo o sucesso de outrora. Exceto, é claro, em suas participações pela Seleção Brasileira. “Pra dentro deles, Denílson”, dizia um certo locutor. E ele ia. Encarava. Representava.
Vamos refrescar a memória? Copa América 2001, na Colômbia. Um tremendo fracasso. Eliminação nas quartas-de-final para Honduras, dos inspiradíssimos Leon e Guevara. Na Seleção, jogadores esforçados como Alessandro (hoje no Botafogo), Emerson, Geovanni (hoje no Man.City), Ewerthon (hoje no Espanyol), Roger (hoje no banco do Fluminense) e Guilherme, hoje auxiliar técnico do Marília. Atuações sofríveis. Se alguém saiu ileso do fiasco, esse foi Denílson, que sempre saía do banco e trazia brilho a um time apático. Teve primorosa atuação (primorosa tacada, Venceslau!) contra o Paraguai, entre outras. E como esquecer da semi-final da Copa de 2002 contra a Turquia e a cena circense que Denílson protagonizou ao ser perseguido por 4 turcos? O rolinho (ou caneta, como preferirem) que aplicou impiedosamente na bandeirinha de escanteio em Arce no Brasil 2x0 Paraguai, pelas Eliminatórias para 2002, em um Olímpico lotado, também ficou na memória (para quem não se lembra, esse foi o jogo em que o Chilavert cuspiu na cara do Roberto Carlos). Eram jogos difíceis e a pressão sobre os ombros de Felipão era imensa. Enfim… tais lances não me saem da memória. É o tal do lado lúdico do futebol, tão em falta atualmente.
O fato é que Denílson, mesmo que tenha cometido seus deslizes na carreira, não merece ter seu futebol diminuído. A mídia, que tanto reclama das entrevistas padronizadas dos jogadores e seus comportamentos robóticos, tem grande parcela de culpa nisso. Seja por fazer aos jogadores sempre as mesmas perguntas, seja por menosprezar alguém que, quer queiramos ou não, representa muito bem as raízes do futebol brasileiro. E que, claro, pode render muito na ponta esquerda do Palmeiras. Principalmente se Vanderlei Luxemburgo, o homem que um dia já teve 4 CPF’s, se propuser a ouvir o primeiro CD do Natiruts. No álbum gravado há 11 anos, os regueiros brasilienses, que ainda se chamavam Nativus, cantam: “Deeeeeixa o meniiiiino jogaaaar”.
Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna.
às 13:09
PAGALANXE