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Grêmio: paraíso dos refugos

11 de Março de 2008 às 11:43 PAGALANXE  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1014

Flashback: voltemos no tempo. Se coloque em 1995. Se tivesse cem vinténs, você, em sã consciência, apostaria no sucesso de um time formado por jovens promessas como Danrlei, Roger, Carlos Miguel e Arílson? E se te dissessem que esse time contaria com a presença de dois desconhecidos defensores oriundos do então opaco futebol paraguaio: Rivarola e Arce? E se, ainda por cima, viessem te contar que o time seria liderado por cinco refugos de outros grandes do Brasil: o zagueiro Adílson, que não vingou no Cruzeiro, os volantes Dinho e Luis Carlos Goiano, que não convenceram no São Paulo do exigente Telê (Dinho ainda tentou a sorte no Santos, após ser trocado pelo colega de posição Axel) e os atacantes Jardel e Paulo Nunes, que pintaram como promessas do futebol carioca, mas não se firmaram? Todos eles sob a batuta de um carismático, embora bravo treinador. Um bigodudo que encarnava a escola gaúcha de futebol, sempre priorizando a transpiração. Um homem que nunca foi adepto de ternos caros nem de discursos pausados, chamado Luiz Felipe Scolari, que sete anos depois, seria campeão mundial dirigindo a Seleção canarinho.

Pois é. Eu também não teria apostado nesse time. Mas foi exatamente com essa equipe que o Grêmio conseguiu um dos títulos mais importantes de sua história: a Libertadores de 95. E com direito a chocolate naquele que era, à época, considerado o melhor time do país: o Palmeiras de Cafu, Muller, Roberto Carlos, Rivaldo e da Parmalat. Foi um 5x0 com um show de cabeçadas de Jardel e voadoras de Danrlei.

gremio 95 - gremio 95

Enfim, apesar de o time ter perdido a final do Mundial para o fortíssimo Ajax, na cruel disputa por pênaltis em Tóquio, ficou o gosto para o gremista de um time extremamente dedicado, que rendeu até mais do que podia. A sensação geral, confirmada um ano depois, com a conquista do Brasileirão 96, era de que Felipão tirava leite de pedra ou, como diriam alguns mais afeitos a clichês de momento, fazia um omelete sem os ovos. Se analisarmos o que cada um dos integrantes do time produziu ao longo da carreira, perceberemos mais claramente isso: Paulo Nunes teve seus brilharecos no Palmeiras, ao lado do excelente Arce, após terem sido trazidos por Felipão, em 98. Jardel, com suas mortíferas cabeçadas, transformou-se no “Super Mario” e imortalizou a camisa 16 do Porto. Depois, ainda teve tempo de brilhar no Galatasaray (ganhando, inclusive, a Copa da Uefa de 2000, ao lado de Hagi e Taffarel) e retornar à terra dos patrícios, para ser artilheiro pelo Sporting, antes de viver sérios problemas pessoais que o conduziram ao ocaso da carreira. Roger construiu carreira no Tricolor Gaúcho, mudou-se para o Japão e hoje, confortavelmente, pensa em encerrar sua carreira no Fluminense, onde é reserva na zaga. Carlos Miguel foi “laranja podre” para Nelsinho Baptista no São Paulo de 2001, e nunca mais conseguiu jogar bem. Arílson fugiu da concentração da Seleção em 96, não vingou no Kaiserslautern, rodou por Inter, Palmeiras, Lusa… nunca com sucesso.

Essa não foi a única vez em que isso aconteceu. O Grêmio adquiriu uma tradição em recuperar jogadores desacreditados. Aconteceu, por exemplo, com Mario Sergio, em 83. O “vesgo”, depois de ser flagrado no exame anti-doping, quando atuava pelo Palmeiras, foi trazido pelo Tricolor Gaúcho apenas para um jogo. A final do Mundial, contra o Hamburgo. E foi um dos melhores em campo, enquanto teve fôlego para esquecer que já tinha a idade de Cristo. O cracaço Paulo César Caju também participou, embora com menor contribuição, desta partida. Também foi trazido especialmente para esse jogo. Tinha 34 anos.

E como esquecer, então, do time vice-campeão da Libertadores 2007? Saja; Patrício, Teco, William e Lucio; Gavilán, Sandro Goiano, Tcheco, Diego Souza e Carlos Eduardo; Tuta. Esses eram os titulares de um elenco que ainda contava com o veterano beque portenho Rolando Schiavi, o craque Lucas (que passou a maior parte da competição lesionado) e o atacante Amoroso, que parece ter esquecido seu futebol no Morumbi, há mais de dois anos. O técnico, assim como em 95, era uma aposta. Também era - e é - um digno representante da tal “escola gaúcha”. Trata-se de Mano Menezes. Uma pessoa que, ao menos no quesito nervosismo, é a perfeita antítese de Felipão. Enquanto o antecessor exalava fumaça pelos ouvidos e resmungava aos quatro ventos, Mano exibe-se com uma frieza escandinava e não gasta seu salário comprando pastilhas para a garganta. Ao seu estilo, fez um Diego Souza rejeitado pela dupla Fla-Flu (onde era considerado um segundo volante) e pelo Benfica virar o homem-chave do Grêmio na competição sul-americana. Fez William e Teco, que haviam naufragado no Cruzeiro e feito sucesso no Ipatinga, virarem pilares de uma defesa segura. Fez Lucio, que já tinha até sido perseguido de carro por torcedores palmeirenses em seus tempos de Parque Antarctica, jogar como nunca. O patinho feio Tuta, sempre questionado pelas torcidas dos times em que joga, fez seus golzinhos. Tcheco lembrou aquele meia criativo que fez grande campanha no Coritiba de 2003. Carlos Eduardo surgiu com tudo. E o time foi eliminando adversários melhor qualificados tecnicamente, como o São Paulo, de Rogério e Josué, e o Santos, de Zé Roberto e Luxemburgo. Até esbarrar no calejado Boca Juniors na final: uma orquestra regida pelo inspirado maestro Juan Roman Riquelme. Mas a lição já estava dada: nunca duvide de um Grêmio com refugos. Portanto, pense duas vezes antes de desconsiderar um time com Roger, Perea, Soares, Jonas, Rodrigo Mendes, Eduardo Costa, Jean, Paulo Sérgio, Reinaldo… ainda por cima treinado por Celso Roth, um técnico que, para muitos, é gaúcho até demais (e refugo).

Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna

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4 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Thiago  |  11 de Março de 2008 às 18:24

    ahuuhahuahu o final do texto eh demais hahaha… nunca duvide de um gremio com refugos… e pensa q os maiores meritos da conquista de 95 sao do felipao, pois o msmo dpois no verdão conseguiu (levando jogadores do proprio gremio) levar o palmeiras a conquista da libertadores tb… mas msmo ele tendo seus meritos, n posso nega q o time era um time de refugos!
    bom parabens ae pelo texto sr. pedro de luna hahah q tah mto bom!! espero os proximos… abraçooo!

  • 2. pedro  |  12 de Março de 2008 às 12:46

    Muito obrigado, Sr. Thiago. Aguarde!

  • 3. P  |  12 de Março de 2008 às 12:48

    O garoto da foto parece estar defecando nos pés do Paulo Nunes, que tá reclamando…

  • 4. fabiano fernandes  |  14 de Maio de 2008 às 14:33

    Sò pode ser um cagãozinho mesmo,é tricolor hehehe…
    Vou fazer a campanha volta jardel cheirador,mas os gremistas vão ter q cuidar pra ele não aspirar a linha divisória de meio campo hehehe…pensando q é uma carreira…

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