Arquivo de 24 de Março de 2008

Big Brother is watching you

Domingo à noite, ligo a televisão a fim de ver os gols da rodada. Rodo por Gazeta, ESPN Brasil, RedeTV!, Sportv… e o assunto predominante é sempre o mesmo: os julgamentos do STJD. Os temas do momento são a cabeçada de Kleber em André Dias e a mal-sucedida joelhada do craque dos novos tempos Jorge Wagner no venezuelano Valdivia, ambos os lances ocorridos no Choque-Rei de 16 de março.

Enquanto espero chegar o momento dos gols – que parecem teimar em só aparecer no Campeonato Carioca -, me ponho a refletir sobre o assunto. Lembro de jogadores lendários que nunca vi jogar e penso no que seria feito deles, caso atuassem nos dias de hoje. Minha mente viaja por Almir Pernambuquinho, que na final do Carioca de 66, envergando a camisa rubro-negra, decidiu brigar sozinho com todo o time do Bangu. Não esqueço de Serginho Chulapa, que pegou catorze meses de gancho por ter agredido um bandeirinha, em 77. Ele, que na decisão do Brasileirão de 81, vencida pelo Grêmio em pleno Morumbi, caminhou calmamente até o goleiro adversário (um tal Emerson Leão), que estava visivelmente fazendo cera no chão e deu-lhe um biquinho na cabeça. Ele, que tinha o hábito de ser expulso ao ser avisado de que o próximo compromisso de seu time exigiria muitas horas de viagem.

Seria no mínimo interessante vê-los desfilando nos gramados em tempos de Rubens Approbato Machado e cia. limitada, que, com o auxílio das mesmas câmeras que vigiam a “nave Big Brother” de Pedro Bial, distribuem punições a rodo pelo mundo do futebol. Approbato, conselheiro do Corinthians e assíduo freqüentador do programa de Chico Lang, preside um órgão necessário ao bom andamento do esporte. E isso, não questiono. O que é discutível é a absoluta falta de critérios do STJD, sua hiper-valorização e exposição na mídia, além, é claro, da conseqüente vulgarização das punições e julgamentos.

Mal pude acreditar quando soube que o zagueiro Juninho, do São Paulo, seria julgado por sua merecida expulsão contra o Palmeiras. Assim como não acredito que se tenha dado qualquer importância ao projeto abortado de cabeçada do imperador Adriano no parrudo Domingos, do Santos. Ou ao quase-chute do goleiro Marcos no atacante Malaquias, do Bragantino. Aliás, o julgamento foi tão ridículo que a própria “vítima” foi depor a favor de seu suposto agressor. Não consigo admitir que se queira aplicar algo além do sempre eficaz cartão vermelho em casos absolutamente corriqueiros como esses.

É no mínimo estranho que se tente colocar tais atos no mesmo rol de verdadeiras agressões, como a cusparada de Rincón em Paulo Nunes, em 99; o carrinho criminoso do craque Edmundo em Paulo Sérgio, do Corinthians, em 94; a confusão causada pelo mesmo Edmundo em um Palmeiras 2x2 São Paulo, em 94, agredindo André Luís e Juninho; o carrinho abjeto de, adivinhem, Edmundo em Miranda, em 2007 (é bom constar, não estou perseguindo o Animal); o cuspe de Hugo em Goiano, do Paraná, também ano passado e, claro, essa cotovelada absurda desferida pelo excelente atacante Kleber, do Palmeiras, em André Dias.
Cotovelada de Kléber

Poderíamos citar aqui dezenas de casos em que o Tribunal deveria ter agido com veemência, mas não o fez. E um milhão e duzentos mil em que deveria se calar e entender que o futebol é feito e jogado por pessoas, não robôs. E que o esporte se torna chato se tudo for resumido em 120 dias ou três jogos. Se a célebre obra de George Orwell ganhar contornos de realidade, com o STJD adquirindo o status de STJDeus. Se, afinal de contas, os fins de domingo continuarem a ser essa imensa chatice que são, com os gols dando lugar a punições e polêmicas tolas e inócuas. Se os programas esportivos forem uma tortura a seus cada vez mais desinteressados telespectadores. Ou se, eventualmente, o STJD decidir aplicar 120 dias de suspensão às mesas-redondas por isso.

Escrito pelo meu amigo Pedro De Luna

3 comentários 24 de Março de 2008 às 14:32 PAGALANXE

Búfalo Vermelho FC

É mais do que clichê elogiar as ações de marketing esportivo que a Red Bull faz. De escuderia de fórmula 1 até corrida de avião, a empresa criada pelo ex-mau aluno e paquitão austríaco Dietrich Mateschitz dá um show de originalidade e brilhantismo na execução e divulgação de suas ações. Todavia, uma delas manchou para alguns a imagem da empresa que te da asas. Eram os torcedores do SV Austria Salzburg, time de futebol fundado em 1933, que viram o nome do seu time mudar em 2005 para Red Bull Salzburg, após aquisição pela empresa de energéticos, deixando todo um passado de glórias para trás.

Camisa do time

Isso causou um bafafá que culminou em protestos por toda Europa (vide foto de faixa feita pela torcida do Benfica), em demonstrações de apoio aos torcedores vítimas do mkt esportivo e até na criação de outro SV Austria Salzburg que hoje disputa a segundona da Áustria.
Estádio
Todavia, já na sua primeira temporada o Red Bull consquistou o campeonato austríaco e disputou as fases preliminares da Champions League. Hoje, o time é treinado por Giovanne Trapatonni e está imbatível no seu país.
Um ano depois, a Red Bull comprou também o antigo New York Metrostars, o transformando em Red Bull NY, mas como a américa não gosta muito da redondinha e sim da bola oval, os protestos não ganharam grandes proporções. Coisa que aconteceria caso a empresa tivesse comprado o Juventude de Caxias do Sul como muito se especulou ano passado.

Apesar do contrato com os gaúchos não ter dado certo, o Brasil acaba de ganhar o irmão caçula do Red Bull NY e Salzburg. O Red Bull Brasil, com sede no bairro do Itaim em São Paulo e investimento inicial de 200 milhões, mas que mandará seus jogos em Campinas. Inscrito na Federação Paulista de Futebol, ele será lançado no mês de abril e disputará a segunda divisão do Paulista, que na realidade se equivale a quarta. Se o planejamento der certo, em 2011, poderemos ver São Paulo x Red Bull Brasil no Morumbi, disputando o Paulistão com cobertura de televisão e tudo.

São nessas horas que eu me pergunto duas coisas:
1- Qual seria a sensação caso seu clube fosse comprado e mudado de nome da noite pro dia?
2- Como a Globo chamará o clube na época que ele estiver jogando grandes campeonatos?

Enfim… o tempo irá responder.

Escrito pelo meu amigo Caju

2 comentários às 00:52 PAGALANXE


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